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Escritor Leo Barbosa


ARRUMANDO AS MALAS PARA IR AO MUNDO

                                                    Leo Barbosa

                                (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                   Arrumando as malas para ir ao mundo

 

     Um lar só é doce Lar, quando ultrapassa a necessidade de abrigo e alimento que são imprescindíveis a qualquer ser humano. Precisamos de amor, organização, de alguém que estabeleça limites, que nos instrua para a constituição de um senso moral. O que atara o nó do afeto familiar será o encontro das virtudes de um ente a outro. Os exemplos dados pelos pais, irmãos. É a base do caráter que determinará nossa postura pelo mundo afora. Quando recebemos um quantum de atenção quando somos crianças, desenvolvemos segurança em nós mesmos, porque testemunhamos a crença das pessoas ao nosso redor, com isso cresce a consciência e o desejo de alcançarmos os sonhos que aqueles que nos amam acrescentaram em nós.

     Infelizmente, nem todos os lugares são bons – nem todos os lares são portos seguros. A incerteza de um porto de partida às vezes é maior do que a de um porto de chegada. Mas, quando sairmos dos nossos lares iniciais construiremos nossa própria morada, professaremos nossas lições...

     Chegada a hora de ir pelo mundo afora, que antes parecia tardar, entretanto sem nos darmos conta fomos conduzidos à independência. Marcas e marcos. O ambiente agora é pouco familiar. Vamos em busca de outros colos, ombros, mãos. Agora, será que precisaremos reduzir a bagagem para que a viagem se torne mais leve, ou teremos que utilizar todos os apetrechos disponíveis? Descobriremos o quão é importante saber quais são as nossas forças e fraquezas – e as dos outros. Quando será a hora de pedir um conselho? E de confiar no nosso julgamento próprio? Lya Luft disse: “Quebrar a cara – pode até ser saudável, pois nos dará a chance de reconstruirmos nosso rosto. Quem sabe um rosto mais autêntico”.

      E quando vem o casamento? O filósofo William Bennett, acredita que, na história moderna, o casamento evoluiu de sacramento a contrato, a convenção e, finalmente, a conveniência. Diz que voto de casamento moderno deixou de ser “Até que a morte nos separe” para se tornar “até que a vida nos separe”. Sabemos que os casamentos bem-sucedidos são mais que o cumprimento de regras pré-estabelecidas no contrato. Há de ter a busca de aprimoramento para o ser amado, tanto da parte do homem, quanto da mulher.

     Geralmente, com o matrimônio virão os filhos e como eu disse no início do texto; será fundamental, além de uma casa, o ensinamento da honestidade, perseverança, disciplina... Se os pais não expuserem esses valores, será quase impossível qualquer instituição da sociedade suprir o básico - fazer-se humano, ser humano e ver o humano.

 

(Texto publicado no "Correio da Paraíba" em 05 de fevereiro de 2011)



Escrito por Leo Barbosa às 20h25
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A Humilde simplicidade de cada dia

                                                Leo Barbosa

 

                                     A HUMILDE SIMPLICIDADE DE CADA DIA

      A humildade é uma virtude que lembra que não devemos nos vangloriar por termos outras virtudes; ela as torna discretas e é por causa dessa discrição que, quando são descobertas, o seu valor é maximizado. É a consciência dos limites das qualidades. É o reconhecimento em si próprio do somos e não somos. É atitude cristã, porque sabe que não é Deus. Humana demais... “Quem sabe se ela não é a máscara de um orgulho muito sutil”? Mário Quintana uma vez disse que “a humildade é a vaidade atrás da porta”.
      Quem conduz o humilde? A razão, ou a emoção? É um estado de alma? Como conseguir o equilíbrio? Pois, se nos afastamos demais; adquirimos o orgulho, se nos aproximamos demais; caímos na baixeza. Achamos que tudo podemos e nos achamos interditados de qualquer ação maior. “Ensoberbados” e desestimados. Mas há uma humildade com certa rendição, submissão na qual quem se submete não se entristece. É ser servil. É humilde e amorosa ao mesmo tempo. Sim! Misericórdia, compaixão acrescidas à humildade.
     Como pode uma pessoa fazer valer desvalorizando-se? “Quem se transforma em minhoca não deve queixar-se, depois, de ser pisado”, escreveu Kant.  E o que é pior, uma falsa modéstia, ou uma presunção declarada?
     A simplicidade faz um pacto com a humildade, porque evita que nos envaideçamos, que nos percamos em nós.
    Minha vida é feita de travessias comuns. Um bom feijão com arroz me satisfaz. Não sou contra o sofisticado, portanto que não nos envaideça e que seja um elemento natural do dia-a-dia, ou seja, nada de regalias. Apenas um pouco de acréscimo no que já é conforto.
    Na rua onde moro ainda há pessoas com suas cadeiras na calçada. Onde Anas, Marlenes, Marias e Teresinhas podem colocar a fofoca em dia. Muitos sonhos nos esperam na padaria. O trigo do quotidiano sacia a fome do corpo e também da alma.
    Gosto de ver a cana sendo moída como se lá ocorresse a trituração do meu cansaço. Do pastel, gosto da crocância, mas aquele óleo escaldante, não. Não, porque me recorda o sol que lateja sobre a minha cabeça e o suor que escorre ensopando as minhas costas.
   Quando chego em casa, pego um livro, um dos apetrechos mais simples e sofisticados do mundo. Simples na sua materialidade e sofisticado por comportar tanta gente e tantos lugares; possibilidades entre folhas. Sigamos o exemplo dos livros que são tão humildes por se deixarem tocar e nos tocarem. E é claro! Com as pessoas sem paramentos na alma. Olhando simples enxergaremos o simples.

(Texto Publicado no “Correio da Paraíba” – 22 de janeiro de 2011)



Escrito por Leo Barbosa às 16h02
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A VELHA CRIANÇA NOVA

                                                                                    Leo Barbosa

                                                                                 (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                                                                      A velha criança nova

 

    Mundo, vasto mundo que morre e renasce todos os dias em consonância com a nossa vista. Os desenhos nas nuvens que quando crianças fazíamos questão de encontrá-los,também desejávamos alcançá-las na ilusão delas serem feitas de algodão doce. Dávamos nomes aos nossos objetos, brinquedos preferidos. Cada forma conforme o formato do coração nosso.

    Quase todas as noites nós procurávamos as estrelas e quando nós as apontavam , alguém dizia que viria dar verrugas em nossos corpos. A Lua com São Jorge e o combativo dragão.

    Rodar pião, roda gigante, carrossel, jogar pião, jogar amarelinha, pique – esconde, baleado, soltar papagaio. E toda terra que pisávamos era conhecida, pois já havíamos tocada com as mãos. Eita! Que o orvalho chorava pela folha já cansada. Olhos D’água. Fazenda já descosturada. O pasto fenece. Recortaram o casulo da borboleta que ainda não era tão borboleta assim... Era uma crisálida que não teve o devido tempo para suas asas serem irrigadas pela àquela gosma que não sei o nome. Era como se fosse uma placenta. Eu confesso que quando criança costumava enterrá-las ainda vivas. Acho que era para ver se elas conseguiriam voar com escombros nas suas asas. Arrependo-me e sei que quando pequenos nós temos uma maldade genuinamente ingênua.  Mas, quais os significados de uma borboleta? Esperança? Mutação? Liberdade?

       Recordo-me que, certa feita, juntamente com um primo meu, na fazenda do meu avô, nós avistamos um lago e desse lago eu recolhi uma espécie de larva que se assemelhava com um peixinho. Era um girino. Um sapo recém-nascido. Até o que é natural nos engana...

   Como se acostumar com a transitoriedade das coisas? Até mesmo uma árvore que não tem pernas – se move! Seus frutos e sementes são deslocadas por agentes para que o natural seja disseminado. Árvore é movimento, precisamos aprender com elas. Lançar galhos, enraizar, fixar nossas forças; “arvorear”. Fazer boas sombras e dar o ar que o nosso próximo e distante ente precisa.

    Toda criança tem o poder de interpretar as coisas sem que sejam necessárias as palavras; compreendem o silencioso. Porque não está ciente dos barulhos do mundo. A ganância, o egoísmo, a desonestidade, a hipocrisia são sons sem harmonia.

    Era um mundo realmente vasto; agora devastado, porque os gestos poéticos são cada vez mais irrisórios. Todavia, sei que os poetas nunca morrerão.

 

(Publicado no "Correio da Paraíba" em 08/01/2011)



Escrito por Leo Barbosa às 09h54
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ANJO GUARDADO - POEMA INÉDITO!!

ANJO GUARDADO

 

Um anjo me guarda tanto

Que fico escondido até de mim

Acho que encontrar é ter mais

Mas, mais o que perder

 

Pode ser a minha repulsão

Motivo de magnitude para alguém

Vou acontecer, eu sei, porém nenhum fato

Mudará o formato do meu coração

No máximo permutará a pele.




Escrito por Leo Barbosa às 14h11
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LUTO PELA VIDA - POEMA INÉDITO!!!

LUTO PELA VIDA

 

Existe tanto mal pela vida afora

A manta das dores encobrindo desconhecidos

O mundo chora estremecido por amargar

E há também lutas antecessoras do luto

 

Por aventura luto com alegria regada

Reflexos dos campos dantes renegados

Fizeram nascer a aureola nos instantes

Agora, distantes são as dormências

 

Sinto, sobrepujando um coração crente

Pedindo que creme o repouso da alegria

Espero a cada dia o creme das violetas

Rebentas por si assim, colhe-las.

 

 

 

 

 



Escrito por Leo Barbosa às 15h56
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PRODUTOS DA PRUDÊNCIA

                                                                                                                       Leo Barbosa

                                                                   (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                                                         Produtos da Prudência

 

      A prudência é a condição essencial de todas as virtudes. É o equilíbrio entre o sensato e a insanidade. Se ela não prover, o que é qualidade passa a ser irresponsabilidade. Alguns a desconsideram, pois que mérito há em cuidar da própria saúde? De agir para não causar dano a si próprio? De fato, o que dará valor são as circunstâncias envolvendo o alheio. Notemos que um valor sempre agrega outro, porque pensar no outro, também se constitui um altruísmo. Mas, Sartre disse que “O inferno está cheio de boas intenções”.Podemos chamar de bom senso e assim definir: deliberação disposta sobre o maniqueísmo (o bom e o mal) o qual o homem agirá conforme as suas convicções e/ou horizonte de sentido. O que construirá o caráter de uma pessoa é o desdobramento das conseqüências de suas escolhas. Como agir? Estar a serviço de boa vontade é se unir a inteligência? Não há como generalizar! Nem sempre o nosso bel-prazer está acompanhado dessa inteligência. Santo Tomás enxergou quatro virtudes cardeais que devem ser regidas pela prudência; são: a coragem, a temperança e a justiça, ausente dela essas virtudes seriam inexatas (ainda mais) e cegas. Mais uma vez faz-se nítida a comunicação entre os valores.  A boa decisão fará a boa ação que fará a justiça que provê coragem e a pessoa que decidirá há de ser pacificadora.

     Uma pessoa prudente não é apenas atenciosa ao que acontece, mas ao que pode acontecer, paciência e antecipação são elementos indissociáveis quando falamos do prever e do prover. É necessário maturidade para agir com precaução. Uma criança a princípio não diferencia o mal (o erro) do que pode fazer mal (perigo, dano) ; isso explica, porque muitas crianças são ou serão impertinentes. Observemos se há negligência dos pais para com os filhos.

     Aristóteles disse: “não é possível ser homem de bem sem prudência, nem prudente sem virtude moral”. Um ser imprudente não é apenas perigoso, é também – pelo pouco caso que faz da vida alheia – moralmente condenável. Vejamos o caso do Hacker australiano e criador do site WikiLeaks, Julian Assange, que foi acusado e preso por não utilizar preservativo com as garotas suecas as quais saía. Na Suécia isso é considerado estupro. Nestes tempos de AIDS, e tantas outras DST’S, comportamentos como esse são inadmissíveis do ponto de vista moral. Muito protege quem não prejudica.

    A humanidade deverá compreender o que é prudência se quiser perpetuar. Tomar consciência de que ao jogar um papel, um saco plástico em lugares indevidos estará contribuindo para uma possível catástrofe. Depois culparão Deus. É tão fácil transferir nossa culpa. Construir um edifícios e casas fora dos padrões de segurança e depois dizer que Deus quis que um desmoronamento acontecesse, que chegou a hora de fulano morrer.

  Quanto maior o poder, maior a responsabilidade. Maiores possibilidades darão limites que deverão ser administrados. Também, trabalhemos para não negligenciarmos o ser humano que somos e podemos ser. Com lucidez e humor que nos prescreve – vamos seguir.



Escrito por Leo Barbosa às 12h48
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BEBIDA DERRADEIRA - POEMA INÉDITO!

BEBIDA DERRADEIRA

 

A queixa do coração treme

Transpassado no suspiro

Sem um daqueles sonhos níveos

De quem espera uma festa tranqüila

 

A vez da interrogação suspende

A timidez do passo da paixão

As cinzas estrelares vem

Quando o turno noturno é soturno

 

No verão é mais fácil aquecer a libido

Dos seres bebidos com ardor

Tateantes a procura duma oração

 

Encolho-me nos segredos das palavras

Dela aspiro uma satisfação

De quem não precisa beber para ser feliz.

 

 



Escrito por Leo Barbosa às 16h47
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LENÇOL DOS DIAS - POEMA INÉDITO!!

LENÇOL DOS DIAS

 

A verdade re-volta devota

A cada lençol dos dias

A cada pronúncia das vogais frias

Sem direção o horizonte – mais distante

 

Coisas rasgam os vestígios do não futuro

Aderindo ao presente recente; fagulhas do ontem

Além do tudo conquistando a sombra

Já tão amiga aperta minha mão

Fazendo-me escrever o que os anos lerão.

 



Escrito por Leo Barbosa às 14h42
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POEMA INÉDITO!

MISTÉRIOS DE CRISTAL

 

Ver uma carne viva

É veracidade de difícil carga

Salvar-se será por empenho

Ao dar existência pro futuro

Ser hoje me atrasa....

 

Meu espírito solilóquio

Meu coração sonâmbulo

Meu olhar de cristal

Tudo entranhado, por Deus

 

Posso descansar meu mistério ?

Em breve tornar-se-á âmbar.

Leo Barbosa



Escrito por Leo Barbosa às 06h26
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Letramento e Alfabetização numa perspectiva Freiriana

Letramento e Alfabetização numa perspectiva Freiriana

 

    Nos últimos anos, em especial, por causa do surgimento do termo e conceito de “Letramento”, muito tem se discutido sobre o que seria/ é a alfabetização. Questões que abarcam o processo de aquisição da leitura e escrita da língua materna. Podemos dizer que “Letramento”; essa palavra tem origem inglesa, vem do literacy que designa a condição, ou o estado de quem é literate (literato), ou seja é o ato de se “letrar-se”, de tornar-se letrado que é aquele que não apenas sabe ler e escrever, mas também fazer o uso competente da leitura e da escrita.

    Ora! Mas, no prisma do Paulo Freire, considerar a alfabetização desvinculada do prazer da leitura e a sua utilização social, não faz sentido, porque para o autor de “A importância do ato de ler”, a leitura do mundo precede a leitura da palavra. E a leitura da palavra que fazemos na escola, fornece componentes para ler o mundo – claro! Desde a educação sistemática, iniciada pela alfabetização até a pós-graduação, é a revolução de um ato de pensar, do conhecimento mediato, crítico, nas relações sócio-culturais. Em síntese, o conhecimento, o saber real da palavra, para Paulo Freire, só é legítimo se o que aprendemos na leitura dos livros for extraído para a ordem prática, para a nossa vivência, uma vez que o “texto pelo texto” já é a representação do mundo de outrem.

    Segundo o professor José Eustáquio Romão (Professor do curso de mestrado em Educação da Uninove- SP)  Freire possuí caracteres essenciais da ontologia, da epistemologia e da pedagogia, porque qualquer fundamentação pedagógica deverá sempre trazer uma concepção do humano (ontologia), uma teoria do conhecimento (epistemológica) e educacional( pedagogia).

    No concernente a perspectiva Freiriana na ontologia há uma homogeneidade universal que faz com que o humano se reconheça incompleto, logo precisam uns dos outros, logo limitados tornar-se-ão insatisfeitos e para suprimirem essa tensão, os seres humanos buscam a educação como meio de enaltecer as suas potencialidades.

    Na teoria do conhecimento, o que se fundamenta é a historicidade, por conseguinte a pluralidade dos conhecimentos. Segundo Freire, os processos gnosiológicos são formados conforme as condições pessoais de cada qual e pelos demarcadores sócio-históricos. Embora haja uma preocupação com a denotatividade e o empírico, cada conhecedor construirá uma consciência da realidade, logo, tem-se em vista a subjetividade.

    Assim sendo, não há cabimento em pensar numa alfabetização que se resume a análises puramente teóricas, lingüísticas sem considerarmos o seu uso social, portanto, visam-se os contextos específicos do (a) alfabetizando (a).

     Então, será que não deveríamos almejar uma educação pautada para além de um mero alfabetizar, ou focarmos numa “política” de letramento? E quanto ao termo “letrado” , não seria uma forma de discriminação e exclusão dos “iletrados” ?

 

(Leo Barbosa é escritor, poeta e estudante de Letras pela Universidade Federal da Paraíba)

 

 



Escrito por Leo Barbosa às 08h45
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Estranhecido

ESTRANHECIDO

 

Venho desde onde

quis ser-me

cativante de longe

estranhado de perto

 

Caso exista-me

tenho precaução de saber

lapsos remanescentes de ilusões

limitam o coração como ninguém.



Escrito por Leo Barbosa às 18h03
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3 poemas do livro "Versos Versáteis"

RETALHO DAS FORMAS

 

O vazio é ocupado

pela presença da indiferença

Retalhos do descuido

                  – afetado

 

O homem recolhe o recado

que sua alma necessitada

exprime caoticidade

- uma cidade rebelada

  por um afeto negado

 

E, dorme-se na forma dos sonhos

Os travesseiros são hóspedes

quando pedem a essência

quando perdem a inocência

de se sentirem com “cabeças”.

 

 

CURVA PARA O ENGANO

 

Atalhos de um beijo

de um dilema, - queixo

A chuva segue lavando

o caminho íngreme

Juntos na saída, enquanto

o desfecho desemboca em mim

 

Pensar custou-me tantas curvas

plantado - enraizando o ilusório

A estrada deseduca os fracos

confunde os enamorados

e quanto a mim?

só vivo de atalhos.

 

PREVISÃO METEORO-LÓGICA

 

Hoje!

Meteoros vão cair;

A lógica ?

É para baixo.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Leo Barbosa às 17h59
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CLARICE ENTRE VISTAS

 

                                             Leo Barbosa

                                    (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                          Clarice entre vistas

 

       Poucos conhecem o lado da Clarice Lispector entrevistadora, digo como repórter, pois nos seus contos e romances, essa escritora nos questiona(va) com afinco, levando-nos a percorrer o cerne dos nossos segredos. Clarice se questionava, para nos questionar.  Mas, falo dela como jornalista que começou a exercer esse ofício em 1940, na Agência Nacional, publicando as primeiras entrevistas na revista Vamos Ler! E no jornal A Noite.. Alguns fatos interessantes durante essa trajetória é que uma vez ela perdeu uma entrevista feita com o Roberto Marinho, por não entender a própria letra! E certa feita, negou-se a fazer uma conversação dessas com o Pelé, pela simples razão de não querer.

       O que mais encantava na autora de “A hora da estrela” eram suas perguntas, por demais capciosas, existências as quais nem sempre os entrevistados conseguiam responder. Às vezes ela fornecia informações pessoais, como forma de incentivo, para que o receptor ficasse desinibido para responder. Todavia, quando Clarice estava no papel de entrevistada, tinha fama de ser lacônica, de falar pouco, inclusive da sua obra, dava respostas do tipo: “Isso é segredo”. “Desculpe,mas eu não vou responder”. “Não sei”. Depois confessou que tinha medo de que suas palavras fossem deturpadas. Para quem quiser conhecer uma Clarice apuradamente auto-interrogativa sugiro o livro “Um sopro de vida”, na minha opinião, um dos melhores! Foi o último que ela escreveu antes de morrer, em 9 de dezembro de 1977, aos 57 anos, vítima de um câncer de ovário. No livro, ela cria um “alter ego” nomeado como Ângela Pralinni que estabelece um diálogo com o “Autor”.

        Agora vou iniciar uma espécie de curta entrevista com perguntas minhas e respostas da Clarice Lispector com base em livros, textos seus:

        - Clarice, amigos existem?

- “Leo, ocorreu um incêndio no meu apartamento, em conseqüência de um cochilo meu, enquanto fumava, o colchão pegou fogo e só me salvei, porque o meu filho, Pedro Gurgel, viu e apagou o fogo. Bem... passei quase três meses no hospital e recebi várias visitas de estranhos. Eu não sou simpática e o que dei aos outros para que viessem fazer companhia? Acredito que se tenha amigo, é que são raros”.

- Como você encara o sucesso?

- “A mim quase que faz mal: encarei o sucesso como invasão”

- Por que?

- “ Porque opinivam no que eu deveria escrever e quando isso acontecia – deixava de escrever, me acham mística, me imaginam demais...”

-  Você se considera uma pessoa livre?

- “ Só seria livre se vivesse sem passado, futuro, ou presente”.

 

(Publicado no "Correio da Paraíba" em 11/12/2010)

   



Escrito por Leo Barbosa às 15h26
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MEMÓRIAS FIÉIS

                                                        Leo Barbosa

                                                 (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                                   Memórias fiéis

 

    No natural da vida, o esquecimento, a ausência de ensaios. O passado pode ser presente e o presente já é passado, ou já é futuro? A primavera e o seu improviso de trazer flores nunca iguais,mas sempre condensando eflúvios e belos tons multicoloridos. As estações desse ciclo estão para nos recordar o que fizemos em cada etapa. Lamentável é que muitas vezes temos apenas os flashes, mas não as sensações. Valeu a pena aquele verão? A natureza pouco inova se não houver a interferência do homem. A memória é Deus. A novidade é a nossa relação com esse Deus. Já o tempo; nunca fica velho. No seu devir é infiel. Santo Agostinho chamou isso de “presente do passado”, são as recordações. O espírito implicado na razão sem razão.

    Você é fiel a tudo que já viveu? Há fidelidade nos seus sonhos? A preocupação é como a ocupação de um futuro que teme não agir conforme a nossa vontade, mas desde quando vontade é sinônimo de necessidade? Pode uma pessoa apreensiva com a poluição atmosférica não se preocupar com o fato de ser fumante e o seu pulmão está sendo tão poluído quanto à atmosfera terrestre? Coerência? Não! Despreocupado consigo, angustiando-se com os outros? É tão mais fácil esquecer o presente do que o futuro? O “agora” tem menos força que o nada? O que há de vir nos será palpável enquanto estivermos no “aqui”. Mas vejamos os loucos; parece haver uma grande saúde física neles, provavelmente por estarem (alguns) inconscientes da temporalidade. Disseram-me que nos hospícios poucos são os que adoecem o corpo. E Freud dizia que a sanidade psíquica de certa forma, alimenta-se do esquecimento. E se nós não nos esquecessemos grande parte das informações fornecidas no dia-dia? Possivelmente seríamos neuróticos! Todavia, no pensamento está a dignidade do homem. É necessário recordar. “Recordar é viver” como sugeria a poeta. Recobrar as virtudes deve ser um exercício constante e por que os defeitos não? Relembrando as imperfeições para que assim surjam os aperfeiçoamentos.

    A fidelidade está intimamente ligada à memória, pois uma pessoa só poderá ser fiel àquilo que lembra. Vejamos o caso do ressentimento o qual podemos definir como uma lealdade a um sentimento ruim, com ódio, amarguras. Nota-se que nem sempre a fidelidade será uma virtude e que costumam confundi-la. Como quando há uma idéia fixa por mesquinharias, futilidades – ambição má.

    Quando falamos da fidedignidade nos relacionamentos de amizade, amor, devemos rememorar que a permanência do gostar da pessoa terá garantia se ambas as partes se adaptarem. “Não se banha duas vezes no mesmo rio” nem “Ama duas vezes a mesma mulher”, ou homem, claro. Não seremos sempre os mesmos. Na verdade, amamos o momento e admitimos ser fiéis ao sentimento. Então se quisermos permanecer fiéis devemos conservar vivo o melhor de cada um.

 

(Publicado no "Correio da Paraíba" em 13/11/2010)



Escrito por Leo Barbosa às 15h22
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NOVIDADES NO MUSEU

                                                        Leo Barbosa

                                         (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                                      Novidades no museu

 

      Tive uma surpresa quando no museu Louvre me deparei com um quadro borrado de sangue, lembrei-me do Van Gogh, mas aquele sangue não era de orelha. Como sei? A pintura parecia não ouvir o meu espanto, além disso a sua simetria não era análoga a qualquer coisa fórmica. A obra deveria ser expressionista, com tons de hematoma. É provável que os seus traços herméticos representassem para o artista o seu querer dizer muito.                                                                                                                                                                                           

      Preocupado com aquela vermelhidão anômala; indaguei o rude vigilante do estabelecimento que me disse não ver a mancha sanguinolenta impregnada na pintura. Perguntou-me, ainda, se eu era açougueiro. Pertinácia sua. O tom de ironia na voz dele era nítido. E retirou-se, pouco caso fez. Inda gritei: juro que vi! Aquilo não era tinta! Estarrecido, pus-me a refletir que estar diante de uma obra de arte e sentir os seus sentidos não é uma experiência popular, apesar de pública. Talvez aí resida a tal coisa vivida com o despojar de cada ser que esteja preso a uma coerência. Porque um assassino não pode agir conforme o que acredita? Para ele matar é certo, ou pelo menos foi. Para o pintor o pincel é a sua arma usada para replicar o sentimento que por tanto tempo conteve. Antes da pintura, vem o pintar-se. Não é a moldura responsável pelos tons. A tela é sangue coagulado, enquanto seu revestimento é veia. O que é um espelho na frente doutro? O que é o seu reflexo na escuridão?

    Quem dera ser possuidor de uma bola de cristal que evidenciasse as meditações e mais – suas conseqüências. Poetas são confundidos com bruxos porque fazem magia com o acidental da vida. A magia do poeta consiste em transformar o banal em essencial. Será que fui incumbido com tal visão? Uma escritora contagiada por esse encantamento escreveu “Futuro de uma delicadeza”: - “Mamãe, vi um filhote de furacão, mas tão filhotinho ainda, tão pequeno ainda, que só fazia mesmo era rodar bem de leve umas três folhinhas na esquina...” (Clarice Lispector) Contágio direto, imediato.

   Quem diria; museu, um lugar de “velhidades” trazendo novidades. Saí do Louvre.  Fui pro carro, meu carro. Outro veículo defronte ao meu, e nesse automóvel três homens bebericavam de uma forma demoníaca. Num supetão reconheci um deles – era o segurança! E percebeu que eu o observava; desceu da viatura. Aproximou-se e me indagou – quer saber realmente de quem era aquele sangue? – sim... Titubeou, chorou, voltou ao veiculo no qual estavam os seus amigos e nunca mais o vi... a vida dele estava coagulada pelo álcool. Não procurei investigar o caso, nem mais cogitei a razão da sua fuga. Mas, continuo sangrando e acreditando que por mais que o sofrimento exista nos episódios da vida-vida estaremos sempre pintando, esculpindo, poetizando, cantando a nossa vontade de viver, mesmo que haja suicídios lentos e/ ou instantâneos.

 

(Texto publicado no "Correio da Paraíba em 30/10/2010)



Escrito por Leo Barbosa às 15h14
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