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Escritor Leo Barbosa


A VELHA CRIANÇA NOVA

                                                                                    Leo Barbosa

                                                                                 (escritorleobarbosa@hotmail.com)

 

                                                                                      A velha criança nova

 

    Mundo, vasto mundo que morre e renasce todos os dias em consonância com a nossa vista. Os desenhos nas nuvens que quando crianças fazíamos questão de encontrá-los,também desejávamos alcançá-las na ilusão delas serem feitas de algodão doce. Dávamos nomes aos nossos objetos, brinquedos preferidos. Cada forma conforme o formato do coração nosso.

    Quase todas as noites nós procurávamos as estrelas e quando nós as apontavam , alguém dizia que viria dar verrugas em nossos corpos. A Lua com São Jorge e o combativo dragão.

    Rodar pião, roda gigante, carrossel, jogar pião, jogar amarelinha, pique – esconde, baleado, soltar papagaio. E toda terra que pisávamos era conhecida, pois já havíamos tocada com as mãos. Eita! Que o orvalho chorava pela folha já cansada. Olhos D’água. Fazenda já descosturada. O pasto fenece. Recortaram o casulo da borboleta que ainda não era tão borboleta assim... Era uma crisálida que não teve o devido tempo para suas asas serem irrigadas pela àquela gosma que não sei o nome. Era como se fosse uma placenta. Eu confesso que quando criança costumava enterrá-las ainda vivas. Acho que era para ver se elas conseguiriam voar com escombros nas suas asas. Arrependo-me e sei que quando pequenos nós temos uma maldade genuinamente ingênua.  Mas, quais os significados de uma borboleta? Esperança? Mutação? Liberdade?

       Recordo-me que, certa feita, juntamente com um primo meu, na fazenda do meu avô, nós avistamos um lago e desse lago eu recolhi uma espécie de larva que se assemelhava com um peixinho. Era um girino. Um sapo recém-nascido. Até o que é natural nos engana...

   Como se acostumar com a transitoriedade das coisas? Até mesmo uma árvore que não tem pernas – se move! Seus frutos e sementes são deslocadas por agentes para que o natural seja disseminado. Árvore é movimento, precisamos aprender com elas. Lançar galhos, enraizar, fixar nossas forças; “arvorear”. Fazer boas sombras e dar o ar que o nosso próximo e distante ente precisa.

    Toda criança tem o poder de interpretar as coisas sem que sejam necessárias as palavras; compreendem o silencioso. Porque não está ciente dos barulhos do mundo. A ganância, o egoísmo, a desonestidade, a hipocrisia são sons sem harmonia.

    Era um mundo realmente vasto; agora devastado, porque os gestos poéticos são cada vez mais irrisórios. Todavia, sei que os poetas nunca morrerão.

 

(Publicado no "Correio da Paraíba" em 08/01/2011)



Escrito por Leo Barbosa às 09h54
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